quarta-feira, 21 de novembro de 2018

245. Pero que las hay, las hay e outros sabores - Apresentação e agradecimentos






Apresentação do livro “Pero que las hay, las hay e outros sabores” pela Dra.  Ângela Mota (*), no CSPPRG em 15-11-2018

Há dias fui ao lançamento de um livro em que um dos elementos que apresentava a obra do autor, cujo nome é Diana, começou por dizer: “Conheço a Diana desde o tempo em que todos a tratavam por Dianinha…”.

Eu não conheço o Vítor desde o tempo em que todos lhe chamavam Vitinha, mas isso não retira nem um ponto sequer do apreço e da  ternura que nutro por este homem bom, sempre pronto a contagiar-nos com o seu bom humor e a sua humanidade.

Da leitura que fiz da sua biografia posso dizer que nada acrescentou que eu já não soubesse – a sua formação em engenharia, o seu trabalho como voluntário em universidades seniores ou em instituições do género, como é o caso da Cultura Aberta, a sua ligação às redes sociais e o seu amor à fotografia, à leitura e à escrita.

A razão peça qual estamos aqui hoje prende-se com esse último amor – a escrita: O Vítor é autor de uma série de livros no âmbito do romance, da poesia e … agora contos.

O livro que hoje apresentamos chama-se “Pero que las hay, las hay e outros sabores” – um livro de contos em que Vítor Fernandes nos seduz com a sua escrita, envolvendo-nos e conduzindo-nos a um verdadeiro jardim antropológico, povoado de uma multiplicidade de personagens, tocadas pela magia da sua ficção. Magia essa que cria realidades alternativas, mas nem por isso menos reais, e que dada a sua vivacidade e humanidade se revelam capazes de nos desfiarem a revermo-nos nelas, levando-nos até a descobrir coisas sobre nós e os outros que até então desconhecíamos.

O que vem referido numa das badanas do livro dá-nos uma breve ideia da riqueza de personagens e contextos. Dentistas, fotógrafos, professores, empregados de seguros, gente rural, bruxas, poetas, endireitas, doentes… são-nos apresentados em situações tão diversas como ressuscitamentos, mortes naturais, lembranças, sonhos, esquecimentos, declarações de amor, suicídios, nostalgias e muitas muitas tentações provocadas pelo prazer da gula. Convém dizer que a escrita de Vítor Fernandes convive com muita informação gastronómica, de par com muitas referências culturais como modo de caracterizar personagens e situações.

Porém a diversidade deste livro de contos não se limita às personagens, aos contextos, aos temas. Também a estrutura dos contos é variada. Há-os curtos, muito curtos, que parecem só um “respirar” narrativo, isto é, o tempo da sua leitura não demora mais do que uma inspiração e uma expiração, e são como uma interpelação ao leitor, uma partilha, por parte do narrador, de um sentir, de uma reflexão, de uma experiência… outros há que se explanam e nos deliciam com uma prosa eivada de poesia ou humor, mas com a economia própria do conto, centrando-se num conflito que se desenrola de modo contido e onde nos deparamos, de conto para conto, com uma polifonia de narradores.

O modo directo como esses narradores iniciam os contos cativam o leitor, estimulam-no. As primeiras frases suscitam logo o seu interesse e por outro lado o modo como depois os terminam, muitas vezes com o seu quê de inesperado, abrupto, misterioso até, deixando frequentemente ao leitor várias interpretações, é motivo para que a leitura deste livro faça voar folha atrás de folha.

Porém este livro não é só um livro que se lê bem, que cativa e diverte… Num tempo em que se insinua um certo desencanto em relação à condição humana é reconfortante, direi mesmo inspirador, encontrar “olhares” como os dos narradores de Vítor Fernandes, “olhares” e “sentires”, simultaneamente ternos e irónicos, que nos fazem reflectir  e conviver com a diferença, a poesia, o humor, a inocência, o caricato, o bizarro, a bondade, dando-nos uma perspectiva plena de riqueza e optimismo sobre o ser humano.


(*) Ângela Mota é licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e antiga professora do Ensino Secundário.

Nota: A autora do texto opta pela grafia anterior ao AO de 1990.

Agradecimentos:
Ao Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro – CSPPRG - pela cedência das instalações.
À Vice-presidente do CSPPRG, D. Ana Luísa Caixa, pela abertura da sessão e pelas palavras simpáticas que dirigiu ao autor.
Ao projeto Cultura Aberta, na pessoa da sua Diretora, Dra. Ana Teresa, à Alzira Gorgulho pela preparação da sala e à Profª Cecília Correia, maestrina da Tuna Sol e Dó que abrilhantou a sessão.
À Editora Emporium, em particular à Dra. Clara Simões, que comigo colaborou na elaboração física do livro numa constante presença e troca de informação.
À Dra. Ângela Mota pela apresentação da obra e do autor.
A todas e todos os meus amigos que encheram a sala na apresentação.
À minha mulher, Maria José Capote, que fez o lanche que acompanhou o Moscatel de Honra do final da sessão.
Ao meu amigo Paulo Trilho que fotografou a sessão e me ofereceu as fotos.
E por fim, mas não menos importante, aos meus estimadíssimos leitores.

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